sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pipoqueiro Valdir fez a palestra de encerramento da Top Innovation 2011

O vice-presidente da empresa de ônibus Marcopolo, José Antonio Fernandes Martins, também participou do último dia do encontro



Para quem acha que inovação é uma palavra que só cabe dentro de grandes empresas e altos investimento, Valdir Novaki (FOTOS) deu uma bela lição, na palestra de encerramento da Top Innovation 2011, “O Estouro da Pipoca do Valdir”, que ele fez ontem (22/09).
A Top Innovation 2011 – Feira de Gestão em Inovação, organizada pela Fiep em parceira com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) aconteceu entre os dias 21 e 22/09, com uma feira, rodada de negócios e palestras.
No encontro, o pipoqueiro Valdir, como é conhecido o paranaense de São Mateus do Sul, contou sua história. Ele nasceu em uma família de 12 irmãos e foi boia-fria até os 18 anos. Foi por esta época que, decidido a driblar a falta de perspectivas que a vida lhe indicava na cidade natal, e cansado da roça, tomou o rumo da capital.
O segredo é não contar seu planos para pessoas pessimistas, porque com elas não tem jeito. Otimista, é assim que tem que ser”, disse o pipoqueiro que até palestra para gerentes da Microsoft já deu. Convite entregue em mãos para ir conhecer o carrinho da pipoca, folder informativo, cartão fidelidade, kit higiene com fio dental personalizado, descontos e site são algumas das estratégias de marketing que o ajudaram a conquistar o destaque de “melhor pipoqueiro do Brasil”. E com responsabilidade social. “Não tive ajuda quando precisei, mas não farei o mesmo”, comentou, contando sobre a Festa Junina de um asilo em que o arrecadado com a venda de pipoca é doado para a instituição.
Valdir, que estudou até a quarta série primária, trabalhou em estacionamento, banca de revista, enquanto esperava a licença da prefeitura para ter seu carrinho de pipoca. Entre a solicitação e o alvará, que só saiu em 2006, foram 13 anos. Quem pensa que ele se abateu, ainda não o ouvir falar. “Valeu a pena porque neste tempo estudei meus concorrentes e, depois, fiz o oposto do que eles faziam e assim ganhei a clientela”, contou, mostrando fotos de sua ‘nave’, como chama o carrinho. “Daqui tiro meu sustento e realizo meu sonho”.
O esmero com que cuida do seu instrumento de trabalho é evidente também no tom orgulhoso ao contar que pela limpeza de sua ‘nave’, as mulheres até a usam como espelho para retocar a maquiagem. “Eu e minha mulher, Vilma, cuidamos de tudo. Minha roupa tem o dia da semana bordado para o cliente saber que é trocada todo dia E só uso insumos de primeira linha”, explicou.
Com todos os valores na ponta do lápis, ele demonstra cada gasto e, explica que “assim sei exatamente o que posso reinvestir, porque parar de investir é pedir para quebrar”. “Sei quanto custa cada grama que eu compro. Quem pensa que só empresa grande precisa de gerenciamento se engana”, ensinou. Mesmo ganhando destaque e atuando hoje como palestrante, Valdir mantém a atividade de pipoqueiro na Praça Tiradentes, em Curitiba.

Olhar para onde os concorrentes não estão olhando
Na palestra “Inovação - Caminho para o crescimento”, que aconteceu nesta quinta-feira (22) no último dia da Top Innovation, o engenheiro e vice-presidente da empresa de ônibus Marcopolo, José Antonio Fernandes Martins, falou que é preciso olhar para onde os concorrentes não estão olhando e, com isso, ter um diferencial na hora de inovar no mercado competitivo em qualquer setor. “A grande empresa é fruto da imaginação humana; o desafio hoje é reconhecer que aquilo que inventamos pode ser reinventado”, disse.
Martins citou quatro perspectivas como um caminho a ser traçado para o crescimento inovador de uma organização: reduzir, eliminar, elevar e criar. Durante sua palestra, o engenheiro citou casos de sucesso como o do Cirque du Soleil que começou com um artista engolidor de facas e hoje é a maior companhia de circo do mundo, faturando só no ano passado mais de 870 milhões de euros. Outro caso lembrado pelo palestrante foi o da empresa de relógios Swatch que reinventou um produto comum com um mix de tecnologias de vários países, com o design italiano das peças, a relojoaria suíça e a engenharia da Lego.
Os clientes não querem uma broca, querem o furo na parede”, brincou. Martins alertou que empresas que não mudam acabam caindo no mesmo lugar. “As inovações vieram, ninguém as pediu. É o que fez a Apple com o iPad e com o iPhone; eles trazem tarefas que a gente nunca pensou em usar antes”, destacou.

Fotos de Rogério Theodorovy.
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