terça-feira, 30 de junho de 2009

Homenagem a Dr. Osmar

Aos nove anos de idade, Osmar Alves Guelfi entrou para o seminário na sua cidade natal, Itapetininga, sudeste de São Paulo. Ficou por lá até seus 20 anos, quando decidiu que não queria mais abraçar o sacerdócio. Decidido a mudar de vida, fez as malas e foi para a rodoviária pensando em ir para a capital do estado. Sem conhecer direito as linhas, acabou pegando o ônibus errado e foi parar em Curitiba. Decidido a ficar, conseguiu emprego em um banco e foi morar com outros rapazes. Prestou vestibular para o curso de Direito e ingressou na Universidade Federal do Paraná. Nessa época, passou por alguns maus bocados fugindo da polícia durante a ditadura militar. Não foram poucas as vezes que teve de sair escondido pela porta dos fundos da universidade para não ser preso.Nesse período de estudante, conheceu sua esposa, com a qual foi casado por 36 anos. Ela era amiga de um dos seus colegas de apartamento e certa vez ligou para para convidá-lo para sua festa de aniversário. Nesse dia foi Osmar que atendeu o telefone. Puxou assunto com a moça e a convenceu a chamá-lo também para a festa. Foi assim que começaram o namoro. Pouco mais de um ano depois, casaram. Depois de formado, ele atuou a vida toda como advogado. Nos últimos sete anos montou um escritório para trabalhar com uma de suas filhas, que também se graduou em Direito. Além do trabalho e da família, adorava cantar e por muitos anos fez parte de um coral chamado Clave de Lua. Nas suas horas de lazer, adorava plantar ervas para chás e temperos na horta que cultivava em casa. Deixa esposa, quatro filhos e uma neta. Dia 23 de junho, aos 70 anos, de enfarte.

A Missa de 7o. dia acontece hoje, 30, na Paróquia do Santíssimo Sacramento, em Curitiba, no Água Verde.

Dr. Osmar, juntamente com seu sócio, Dr. Luiz Francisco, foi meu primeiro chefe nos idos de 1996. Na época em que eu era tão tímida que se tivesse que falar mais de 10 palavras com algum estranho, só faltava morrer.
Foi lá que dei os primeiros passos como advogada, mas mais que isso, como gente independente, com opinião. Todos os dias, às 17 horas, tinha uma pausa para o café (ou o Ades, que era servido no escritório como algo muito chique, por ser até então importado da Argentina), para troca de idéias. Vinha gente dos escritórios vizinhos. E eu, mesmo sendo estagiária, sentava na mesa de igual pra igual. Amava de paixão. Naquele ano, muita coisa aconteceu na minha vida: namoro novo, um furto no ônibus, as primeiras petições... e também a primeira ópera, pois Dr. Osmar tinha lá uns discos de vinil e tocava uma CARMEM, de vez em quando. O máximo.
Todas as minhas memórias dessa época e deste estágio são boas e é com um sorriso no rosto, como sempre tinha um o Dr. Osmar, que lembro dele. Com certeza, já deve estar tocando algum instrumento lá no Andar de Cima. AMÉM!
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