segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Hoje tomei um carão!







Carão, se não for grande, não tem graça.
Então, creio que hoje tomei um que vale para até a próxima encarnação, acompanhado de um mico tão gigante que bem que eu queria que se abrisse um buraco onde eu pudesse me tacar inteirinha dentro.
Pois bem. Tem um evento porreta hoje, lá na Sociedade ... (vou poupar nomes pra ninguém dizer que isso é um ato político, racista ou algo do gênero). Já fui em outros eventos lá e é sempre o mesmo saco. Quem convidou, quem pôs a m... do teu nome na lista, etc e tal.
Pra ser bonitinha, resolvi chegar cedo. Páro na portaria e de dentro do carro ouço uma voz cavernosa me perguntar" "Você é sócia?".
Eu, ainda na minha linda e sábia simpatia, respondo gentilmente e humildemente "Vim para o evento XPTO, a convite de Dona Fulana de Tal, que já havia passado os dados do meu veículo anteriormente"
"Seu nome?"
E tal!... A voz emudeceu. Presumi que o homem da portaria foi ver com alguém o fato de ter uma Ciclana na porta que não é sócia e quer entrar, porque o vidro é tão preto que não dá pra ver nem sombra da figura.
Ligo pra Dona Fulana, que é imensamente mais gentil que eu e confirma que meu nome deveria estar na lista e que vai tomar as providências.
Fico lá, plantada pelo que me parece a eternidade (ai, que clichê! Se minha professora de textos vir isso, me mata!), me sentindo já meio idiota e sem poder ir pra frente (portão fechado) e sem poder ir pra trás (fila de carros que começa a se prolongar cada vez mais...).
Aparece uma madame emputecida na minha janela, que me olha como se eu fosse uma verdadeira idiota (aliás, creio que eu estava me sentindo exatamente como ela achou que eu era) e diz que é pra eu tirar meu carro que tá fazendo fila... Quase que eu respondo que não tenho pra onde ir, se ela não percebeu..... e... no comments! Creio que os mais criativos imaginam como eu terminaria a frase num dia "normal".
Mas não é um dia "normal" e sou, neste momento, um poço de sensibilidade e geléia de banana!
Logo em seguida, aparece um sujeitinho bonitinho, de camiseta desmilingüida, o qual penso, com minha vã esperança, irá abrir-me os portões... Ao contrário, me pergunta se sou convidada da Dona Beltrana. "Não, Dona Fulana de Tal foi quem pôs meu nome na lista..."
Ele afirma que meu nome NÃO está na lista e que NÃO posso entrar. Pede pra eu tirar o carro da entrada, fala com o cara do carro atrás do meu que me olha como se eu estivesse coberta de lama e afasta 10 cm o párachoque, enquanto eu manobro durante longos e intermináveis 5 minutos de um modo a liberar a passagem, sendo encarada fixamente por 30 motoristas de carros plantados nos dois sentidos da rua.
Digamos, assim, a palavra que mais se encaixa é humilhante. Não tem outra.
Ligo pra Dona Fulana de novo e digo que o moço não me deixou entrar. Ela é uma graça, uma voz realmente tão delicada (não a conheço pessoalmente) e confirma que já falou com o responsável e que este liga na recepção e não é atendido... Ela me pede que fale ao rapaz que atenda ao telefone que toca...
Nessa, aparece outro, todo de preto, que me olha com olhos cheios de desprezo (nisso, acho que minha imaginação nervosinha já estava começando a trabalhar...). Tô suando em bicas dentro do carro, com cara de culpada (culpa não é um sentimento feito pelo Criador, eu sei!) e o cara me diz de novo que NÃO estou na lista e que NÃO posso entrar. Digo que Dona Fulana já falou com o responsável, peço que atenda ao telefone... Nada!
Espero mais um pouco... Os carros passam e todo mundo olha para o carro enviesado na entrada, mira a placa, mede de alto a baixo (o carro é o meu, óbvio e, eu, dentro do carro, não sei onde enfio a cara!).
Escuto, de longe, o cara dizendo "A senhora agora pode entrar". É pra mim, mas não!... Ele não olhou pra mim, não; ele não veio até a janela, não; ele não me indicou a porta. Só falou de longe que eu poderia entrar, naquele tom de voz de quem diz... agora já nos divertimos bastante e a senhora pode partilhar da noite na nossa presença maravilhosa e muito simpáticahehehehehehe
Ainda tenho tempo de dizer "Depois de todo esse tempo aqui fora?"... Então, "O" Mico (com letra maiúscula, porque merece!)... Uma lágrima cai e não consigo mais segurar. Um jorro, como se o mundo tivesse acabado, como se eu tivesse perdido o grande amor da minha vida, como se nunca mais eu fosse ver a minha melhor amiga. Enfim, uma grande M...! Meu cérebro diz que é rídiculo, isso tudo não passa de um mal entendido e os dois guardinhas na porta são dois frangos mal orientados. Mas não funciona. Começo a soluçar e a única coisa que me vem a cabeça é voltar pra casa, com meu rabinho entre as pernas e nunca mais voltar nesse lugar.
O telefone toca e eu, apavorada, penso que deve ser Dona Fulana. BATATA! Era! Tento fazer uma voz de gente decente (a minha voz de sempre, caramba!), entretanto, a voz delicada de Dona Fulana, como uma mãe que fala com seu filho, perguntando se já estou lá dentro, termina de me desmontar. Choro ao telefone e suo ainda mais, profudamente envergonhada.
Choro feito vaca e mal consigo balbuciar... "Hoje é um dia em que não estou boa!...", que é pra tentar salientar o fato de que eu não choro toda vez que algo tão estúpido me acontece.
Não sou daquelas que ligam para o quê os outros vão pensar, só que a voz macia e polida de Dona Fulana, só me faz pensar que essa mulher vai achar que eu sou uma completa louca, uma debil mental desequilibrada ou outros que tais. Meu cérebro diz pra eu parar de chorar, mas o comando não funciona. Parece o inverso. Por que isso é tão importante nessa hora? Eu lá sei! Se soubesse, talvez chorasse menos e não soasse como um bezerro desmamado sendo levado para o abate.
Quê vergonha de Dona Fulana, que não me conhece e me escuta chorando destrambelhada!
Continuo vendo os muitos carros que entram e zapt, graças que surgem 30 segundos e consigo sair voando dali.
Choro no carro, FEITO uma desesperada, porque EU SEI que NÃO sou uma. Mas a situação se abate sobre mim e choro ainda mais quando penso na Dona Fulana me dizendo que já estava chegando, que eu a esperasse... Como é que eu iria encarar a mulher em tal estado lamentável?
Troco SMS com o namorido, que já sabia que eu havia sido barrada a porta. Ele jura que vai escrever uma carta exigindo apologies. Confirmo num inglês catatônico que sinto como se eu fosse uma bandida e continuo chorando, aos soluços incrivelmente altos, os 20 minutos até chegar em casa e mais 15 antes de ligar para a outra amiga pra me "desculpar". A outra amiga que tão gentilmente havia pedido para Dona Fulana me colocar na lista dos incluídos...
Quero muito que diga à Dona Fulana que me sinto mal por ter parecido tão sem jeito ao telefone; que entendo perfeitamente que a responsabilidade não foi dela, que foi um erro de alguém sem coração que não sabe o quanto é desagradável ser barrado na porta de um dos clubes mais esnobes de Curitiba. E começo a chorar de novo, tão idiota quanto antes!
Ai, ai!
Desligo, ainda com reflexos da humilhação ridícula bailando na minha cabeça - claro que meu cérebro parou de raciocinar há muito e bóia nesse mar de lágrimas absurdas!
E faço essa catarse, que é escrever a minha saga (aiiiiiiiiiiiii, não me falem em SAGAS, please, NÃOOOOO!) e passo a me sentir lindamente calma e justiçada.
Dona Fulana há de me perdoar o destempero!
Minha barriga ronca e volta a sentir fome, a despeito dos meus olhos arderem como se alguém tivesse neles mijado...
E para os quê acompanharam o meu dia:
UM BEIJO NO CORAÇÃO!...heheheheheeheh
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